Inovar em projetos culturais?

Realizar algo diferente de padrões adotados anteriormente em termos de ideias, práticas e efeitos. Inovar de forma sociocriativa, transformando-se e transformando a realidade ao seu redor. A inovação pode estar nas linguagens, nas narrativas. Em conteúdos inéditos, rupturas estéticas, experimentações. Em outros temas, composições, repertórios pouco conhecidos. Ou em abordagens que instiguem a novas reflexões sobre o contemporâneo ou o tradicional.

Ela pode vir em métodos que permitam fazer melhor com menor impacto ambiental. Em práticas mais delicadas, metodologias mais complexas e transformadoras. Em modelos de governança mais democráticos, mais participativos.

Pode estar em novas formas de uso de tecnologias digitais e de redes midiáticas. Em pesquisas, em sistemas de gestão mais inteligentes, capazes de produzir e disseminar conhecimento a partir das práticas. Em formas alternativas de aprender ou ensinar, de ampliar o acesso à cultura, ao conhecimento, à identidade e à memória. 

Pode estar simplesmente no jeito como as pessoas se relacionam com outras pessoas e com elas mesmas. Em processos de pesquisa-ação, em rodas de conversa, em dinâmicas de design thinking.

O mais importante é que, inovando, o empreendimento gere efeitos sociais vivos e transformadores. E são tão relevantes aqueles que possam reverberar para todo o planeta quanto os que fazem diferença apenas em sua pequena aldeia.

Não há receitas para inovação. Não seguimos critérios rígidos, mas se uma ou mais das hashtags abaixo se aplicam ao seu projeto, estamos interessados em conhecê-lo.

BomPraHackear

Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã, e nós trocamos as maçãs, então você e eu ainda teremos uma maçã. Mas se você tem uma idéia e eu tenho uma idéia, e nós trocamos essas idéias, então cada um de nós terá duas idéias” George Bernard Shaw

Em informática, o termo hackear refere-se a desvendar e modificar aspectos de programas já existentes de computadores, gerando conhecimentos que, quando aplicados em outros contextos, extrapolam os limites que lhes deram origem. Atualmente a palavra é usada também no sentido de estudar metodologias e conhecimentos adaptando-os a novas possibilidades.

Um projeto é BOM PARA “HACKEAR” quando consiste em uma ótima ideia. Quando tem algo de muito especial que inspira e inquieta outros empreendedores. Um jeito de fazer simples, inovador, de baixo custo e alta efetividade que possa ser descoberto, aprendido, modificado e reaplicado por transformadores de outras realidades. Assim a sua inovação se renova e beneficia muito mais gente além do seu projeto!

FazGenteBrilhar

No coração da mata gente quer
Prosseguir
Quer durar, quer crescer,
Gente quer luzir”
Caetano Veloso

O Desenvolvimento Humano é aquele que trata da promoção do potencial das pessoas, do aumento de suas possibilidades e o desfrute da liberdade de viver a vida que elas valorizam.

Um projeto FAZ GENTE BRILHAR quando oferece às pessoas da região oportunidades de acesso, como expectadores, aprendizes ou protagonistas, a linguagens e repertórios artísticos e culturais. Ou quando valoriza a identidade e a memória locais, inclusive assegurando a grupos excluídos e minoritários o direito de se expressarem plenamente conforme suas próprias escolhas. Pense com carinho nos seus públicos, que diferença seu projeto faz na vida deles?

GeraOportunidades

“Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura..”
Alberto Caeiro

Para aproveitar um bom espetáculo, entre muitas coisas, é preciso de espaços e equipamentos. Para montar uma exposição, são necessários mão-de-obra e know-how especializados. Para promover a leitura, bibliotecas e livrarias. Festas populares e grandes eventos, fornecedores de logística. Toda iniciativa cultural é também um processo econômico.

Um projeto GERA OPORTUNIDADES ao movimentar recursos físicos, financeiros, intelectuais e tecnológicos de um jeito que beneficia a comunidade. Pode ser gerando oportunidades de trabalho para pessoas e empresas da localidade. Usando moedas criativas e recursos compartilhados talvez. Pode ser ensinando profissionais e artistas. Ou aumentando a disponibilidade de espaços e equipamentos culturais na cidade. Quem sabe inventando aquela gambiarra que permite fazer coisas lindas com pouco dinheiro. Procure ter em mente a diferença que o seu pequeno projeto faz para a sua aldeia.

MultiplicaaEnergia

“Onde, afinal, é o melhor lugar do mundo? Meu palpite: dentro de um abraço.”
Martha Medeiros

Somos seres interdependentes. Nenhuma transformação acontece sem o outro, sem as outras partes do todo.

Um projeto MULTIPLICA A ENERGIA quando funciona como um agregador de esforços, um gerador de sinergia, consciente de que a união das partes é bem mais que a simples soma delas. Pense nas parcerias que precisa ou pode criar, fazendo com que seu empreendimento dialogue com o poder público, com governanças locais, movimentos sociais, com outros empreendedores da região. Cada aliança é uma oportunidade para semear uma cultura de cooperação capaz de promover consensos, pactos e desafios comuns, racionalizando o uso de recursos e multiplicando os benefícios culturais, sociais, econômicos e ambientais. Quem abraça essa ideia incrível que você está querendo transformar em realidade?

LigaosNós

“Nós somos o tecido de que são feitos os sonhos.”
William Shakespeare

Seu projeto LIGA OS NÓS quando conecta o seu trabalho com o de outros empreendedores, tecendo ou articulando-se em redes de conhecimento e colaboração.

Nas redes de conhecimento há intercâmbio de informações, conhecimentos e experiências entre pessoas envolvidas com temas parecidos ou complementares aos que você trabalha ou pesquisa. Cada ponto da rede é um nó ligado a outros nós, e geralmente essa troca ocorre por meio da Internet. As redes de conhecimento também podem ser redes de colaboração, arranjos territoriais ou virtuais onde os nós compartilham recursos, infraestrutura e serviços, entre outros aspectos, e conciliam objetivos particulares com objetivos coletivos.

O grande benefício das redes de conhecimento e colaboração, além da geração de sinergias, é o enorme aprendizado social que promovem ao permitir que o conhecimento produzido a partir da ação de cada um dos empreendedores conectados seja disponibilizado para todos os demais.

CuidadaVida

“A não-violência absoluta é a ausência absoluta de danos provocados a todo o ser vivo. A não-violência, na sua forma ativa, é uma boa disposição para tudo o que vive. É o amor na sua perfeição.”
Mahatma Gandhi

Sempre que não nos preocupamos em reduzir nosso impacto no meio ambiente, ferimos os seres vivos das gerações atuais e futuras. Quando queremos impor aos outros nosso jeito de ver o mundo, ferimos pessoas de culturas e orientações distintas das nossas. Ao falarmos sem escutar, ferimos nossos interlocutores. Todas as vezes que usamos a força para resolver conflitos, corremos o risco de ferir alguém, tornar o mundo um pouco mais violento, e assim ferir também a nós próprios.

Um empreendimento CUIDA DA VIDA quando compreende que o cuidado com o meio ambiente começa no cuidado com as pessoas e com a forma como elas se relacionam. Quando o diálogo é uma prática constante usada para transformar conflitos em sabedoria e em convivência. Quando o respeito ao meio ambiente e à diversidade cultural são valores presentes em cada detalhe na forma como o projeto é concebido. Pense no ecossistema, pense em diferenças, pense em praticar, pense em educar, há infinitas formas de cuidar da vida, qual é a sua?